Neuroarquitetura: A Arquitetura dos sentidos

Você já conhece a Neuroarquitetura?🤷‍♀️


Já se perguntou como o ambiente pode impactar no seu cérebro e modificar sua maneira de sentir e consequentemente de agir e tomar decisões?

A neuroarquitetura e justamente a junção da arquitetura com a neurociência, ela analisa como os ambientes influenciam nosso cérebro, e conseqüentemente nossos comportamentos, acoes e sensações. Esta ciência esta contribuindo para criar ambientes que contribuam com a função a qual se propõem, além de proporcionar experiencias e sentidos únicos para seus usuários.

Mediante a Arquitetura como sabemos, podemos transformar os espaços e melhorar nossas experiências. Muitas vezes, mudanças simples, como a cor de uma parede, ou o tipo de iluminação já podem influenciar positivamente no ambiente em questão. Por isso cada vez mais pessoas e empresas se interessam por criar este tipo de experiência através da arquitetura.

Você já pensou na influência que um espaço projetado especificamente para suas necessidades e seu dia a dia, podem ter na sua vida?


A diferença costuma ser muito significativa: melhor qualidade de vida, através de uma melhor qualidade do sono, melhoras na produtividade, no humor e na disposição, estes são somente alguns dos maiores benefícios da Neuroarquitetura.


O homem usa o espaço como forma de linguagem e o manipula num constante processo de construção de sua identidade. Construindo-o, constrói também um sistema de significados e valores dele. Além disto, o espaço construído será reinventado constantemente por seus usuários, os seus valores e significados serão alterados de acordo com inúmeros fatores de ordem psico-cultural (Duarte, 2000).



Design Biofílico e Neuroarquitetura:


A biofilia é uma técnica utilizada no campo da Neuroarquitetura que busca reconectar as pessoas com os elementos da natureza. O termo se popularizou em 1984, quando o americano Edward Wilson publicou um livro sobre biofilia, no qual citava uma ligação emocional entre os seres humanos e os elementos da natureza, como o vento, luz solar, mar, árvores, chuva, entre outros.

A necessidade de aplicar os conceitos da biofilia nos ambientes fechados têm sido uma demanda crescente na Arquitetura. Viver em ambientes fechados com muitos elementos artificiais gera um impacto negativo na qualidade de vida do ser humano e consequentemente no seu rendimento.

Estudos científicos sobre neuroarquitetura e mais especificamente, sobre biofilia, demostram que o design do ambiente impacta diretamente na saúde física e psicológica, assim como também pode influenciar a criatividade e produtividade.


Fonte imagem: Pinterest


Neuroarquitetura direcionada a ambientes corporativos:


O relatório Human Spaces no Impacto Global do Design Biofílico no Local de Trabalho, demostra que colaboradores que trabalham em ambientes com elementos naturais relatam níveis mais altos de bem-estar (+15%), produtividade (+6%) e criatividade (+15%), comparado àqueles que trabalham em ambientes sem a presença da natureza. Como sabemos o uso de vegetação e luz natural pode propiciar experiencias sensoriais e contribuir com o desempenho e qualidade de vida dos usuários. Este conceito bem sendo cada vez mais utilizado nos meios corporativos, melhorando significativamente o ambiente de trabalho, assim como sua produtividade.


Repensar a questão ergonômica dos móveis, pode evitar problemas a saúde dos trabalhadores, problemas como: dores nas costas, D.O.R.T, L.E.R, estes problemas alem de se tornarem crônicos e virarem doenças, atrapalham no desempenho e produtividade do trabalhador. Outro problema é o ruído, que desconcentra as pessoas. Por isso, o isolamento acústico é essencial dentro de um projeto corporativo. Desde a altura do pé direito do ambiente, até o formato do mobiliário podem influenciar no comportamento dos usuários. Um pé direito mais alto por exemplo: incita a criatividade e promove interações interessantes entre os usuários daquele espaço. Cores como o laranja e o amarelo possuem a mesma finalidade criativa.



Fonte imagem: Pinterest




Neuroarquitetura em ambientes educacionais:


Sabemos que certos ambientes são estimulantes e favorecem o processo do aprendizado, melhorando significativamente o interesse das crianças pelo processo educativo.

Um projeto de Neuroarquitetura aliado a educação deve contemplar primeiramente: O conforto e segurança das crianças que devem se sentir protegidas e amparadas pelo prédio. As questões de acústica deve ser pensadas para que o barulho não atrapalhe o processo de aprendizagem do aluno. Outras questões como temperatura e luminosidade adequada são de suma importância dentro do processo cognitivo e sem duvida um projeto focado nestes fatores sensoriais pode trazer ótimos resultados em estabelecimentos de educação.



Fonte imagem: Pinterest



Neuroarquitetura direcionada a edifícios hospitalares:


O ambiente hospitalar remete a experiencias de dor muitas vezes. As famosas paredes brancas podem trazer uma ideia de higiene e limpeza, porém, trazem também; um sentimento de frieza gerando impaciência. Ambientes hospitalares não tem que ser necessariamente tão brancos, a utilização de outras cores, e de painéis com imagens naturais, ou tecidos com texturas naturais, podem trazer uma melhora considerável na experiencia dos pacientes, trazendo uma melhoria na sensação de bem estar e saúde de maneira geral.


Como exemplo podemos citar o uso de tons verdes, em espaços relacionadas ao tratamento da saúde. A cor verde, sempre esteve associado à esperança, à fertilidade, ao nascimento e ao renascimento. Utilizar esta cor nas situações que envolvem tratamento de saúde, é bastante comum.



Fonte Imagem: https://www.archdaily.com.br/

Hospital da Rede Sarah Kubitschek Brasilia


Principais premissas e conceitos da Neuroarquitetura:


Ventilação e iluminação natural:

Ambientes iluminados e com boa ventilação proporcionam qualidade de vida. Se tiver a oportunidade crie fachadas com vista para a luz do sol. Outra opção, e criar a entrada da luz natural através da: iluminação zenital, ou seja, recortes no teto ou paredes que propiciem a entrada da iluminação natural, a palavra Zênite, que dá origem a zenital, e significa alto, ou ponto mais elevado, podemos dizer que iluminação zenital é toda aquela que vêm de cima. Para fazer uso deste recurso podemos utilizar estas cinco estrategias arquitetônicas que permitem a entrada de luz natural ao recinto, lembrando que a área a ser aberta não pode ser 10% maior que do piso, pois pode apresentar problemas térmicos, tornando o espaço muito aquecido.


  • Domos

  • Sheds

  • Lanternins

  • Claraboias

  • Átrios


2 Iluminação artificial:

Nas áreas íntimas, invista em luzes quentes, aquelas com tonalidade amarela que ajudam a estimular a produção de melatonina, propiciando um clima de relaxamento.

Já a luz branca deve ficar em áreas que exigem concentração e foco: como cozinhas, escritórios o salas de trabalho ou estudos. Nosso relógio biológico compreende essas mudanças de maneira natural. A luz da manha, mais clara nos incita ao movimento e estimula a ação, enquanto ao decorrer do dia até o fim da tarde, a luz vai se tornando mais amarelada a medida que o sol vai se pondo. Dessa maneira nosso organismo entende que se aproxima a hora do descanso e do relaxamento, liberando melatonina e contribuindo para que tenhamos uma maior qualidade de sono e relaxamento.


3 Natureza:

A vegetação é parte essencial neste processo, a conexão do ser humano com a natureza é comprovadamente muito benéfica e transformadora, ela estimula o relaxamento. Dentro da neuroarquitetura trabalhamos também o conceito da biofilia, que estuda especificamente a conexão entre a natureza e o cérebro humano. Aposte em plantas, quadros que tenham paisagens, todo tipo de simbologia que remeta ao natural. Desde acabamentos com materiais naturais até fontes de água, quadros, tapetes e formas orgânicas que tragam essas sensações intrínsecas no nosso sistema biológico.


4 Organização:

Um ambiente bem organizado é parte essencial nos preceitos da neuroarquitetura. Você já deve ter percebido a mudança que ocorre em nosso interior apos a realização de uma boa limpeza e organização em nossas casas ou escritórios e ambientes de trabalho. Estudos indicam que a organização dos espaços ajuda a controlar depressão e ansiedade podendo modificar o jeito com que a pessoa percebe seu contexto significativamente.


A influencia das cores na Arquitetura:



Verde e amarelo


De todas as cores,o amarelo e o verde são tons que mais provocam sentimentos de felicidade e bem-estar, segundo uma pesquisa feita pela (Universidade de Vrije, em Amsterdam) na Holanda. Você pode escolher entre todos os tons de amarelos e verdes que existem e eleger apenas uma parede para colocar a cor, sempre lembrando que ambientes diferenciados ,podem pedir diversos tipos de cores, segundo o tipo de emoção que gostaríamos de provocar.


O amarelo estimula as atividades intelectuais, proporciona energia e criatividade é ideal para ambientes que necessitam de uma atmosfera ativa. Esta cor deve ser bem equilibrada, pelo seu elevado grau de luminosidade, pois pode causar desconforto visual. O amarelo representa o sol, vale investir nesta cor quando o ambiente for escuro ou na falta de iluminação natural.


Significado da cor Laranja:


A cor laranja, considerada também cor quente, criativa e dinâmica, traz as mesmas propriedades do amarelo, porém num grau muito mais elevado. Ela representa energia, calor, fogo,atividade, podendo proporcionar vitalidade, dinamismo, elevar o nosso ânimo e reduzir a depressão, o cansaço aumentando autoestima.


Significado da cor Vermelha:


Cor do fogo e do sangue, o vermelho é a mais importante para muitos povos por ter maior ligação ao princípio da vida. Ainda considerada cor quente, é excitante, anima, traz confiança, força de vontade e agilidade para tomarmos iniciativas. Esta cor pode também propiciar sentimentos agressivos de poder, podendo ser propicia para ambientes onde se realizem vendas ou competições, desde que equilibrada com outras cores.



Significado da cor Azul:


O azul é considerado cor fria, causa impressão de profundidade no ambiente. O azul é frio, e pode estimular serenidade, paz. Ideal para ambientes de relaxamento, de cura e repouso, na sua tonalidade mais clara, traz sensação de alegria e plenitude, já a tonalidade mais escura aprofunda os sentimentos podendo ser não indicada para pessoas com depressão, já que atenua a profundidade. Também utilizada em ambientes quentes, por ser uma cor refrescante. Já no caso de ambientes frios e locais mais frios, não é indicada, pois pode aumentar a sensação de frio dos ambientes.


Marrom nos ambientes

O marrom é uma boa cor para atividades que exijam concentração, como bibliotecas e escritórios. Transmite ainda sensação de sobriedade e austeridade. Dependendo da tonalidade, pode ser acolhedor ao ambiente. Transmite conforto. Esta cor, equilibrada com outras cores neutras alem de ser muito utilizada, ela cria um equilíbrio pois remete ao natural, a terra, portanto, faz parte da nossa estrutura biológica.


Branco nos ambientes

Não precisa ser utilizado como cor predominante, e combina com todas outras cores. Traz bastante luminosidade ao ambiente, simplicidade e induz à ordem e organização, mas em excesso pode se tornar irritante, é necessário combinar esta cor com outras, de preferencia. Estas combinações podem ser realizadas através dos objetos de decoração, peças e mobiliário. No exemplo de um estilo de design escandinavo ou minimalista, podemos pintar as paredes de branco e brincar com as cores, nos tecidos dos moveis, almofadas, tapetes e quadros,criando um equilíbrio sem sair do estilo escolhido.


Significado da cor Preta:


Sofisticada, imponente. Possui a propriedade física de absorver quase todos os raios luminosos que incidem sobre ele, por isso pode literalmente esquentar o ambiente.

Pode transmitir a sensação de seriedade e prudência, mas combinado com outras cores, pode surpreender e criar ambientes aconchegantes.


Significado da cor Cinza:


Uma cor bastante neutra, não somente esteticamente, más também nos seus efeitos no nosso cérebro. Resultado da mistura do preto com o branco, posiciona-se entre a luz e a sombra.

É passivo, sem vida, não relaxa nem anima, não interferindo nas sensações. Por esse motivo é bem empregado junto com outras cores.


Psicologia das cores na Arquitetura e Design de interiores:


É importante ter em mente que estes conceitos variam muito, não só de pessoa para pessoa, mas também, do proposito que o ambiente onde parte a análise deseja alcançar, assim como as características pessoais de quem ocupará o espaço. Por isto é essencial conhecer bem o perfil do cliente, e estar consciente do que se quer despertar no ambiente em questão. Portanto um brieffeing, ou seja, uma boa conversa com o cliente aprofundado o entendimento sobre seu dia a dia, sua rotina, seus propósitos, pontos fortes e fracos na sua personalidade, e da personalidade daqueles quem com ele convive ou trabalha, no caso de locais de trabalho ou estudos, pode contribuir de maneira significativa na elaboração de um projeto assertivo e funcional.


Já conhecia a Neuroarquitetura?🤔


Já imaginou criar espaços que vão muito alem da estética e funcionalidade, espaços que podem propiciar uma verdadeira qualidade de vida, melhorar seu sono, sua autoestima, concentração e rendimento. Isso é possível mediante a Neuroarquitetura, mediante algumas simples e assertivas mudanças que irão transformar a sua maneira de habitar, trazendo para cada ambiente, exatamente aquilo que é necessário.


Espero que tenham gostado e que aproveitem as dicas deste post para começar a tornar seus espaços mais equilibrados e produtivos.


Até o próximo post!😘


Jesica Marucci

Arquiteta, Urbanista

Especialista em Design de interiores

Estudante de Neuroarquitetura

Fundadora do Arquidesignonline






Referências:

[1] Elliot, A. (2015) Color and psychological functioning: A review of theoretical and empirical work. Frontiersin Psychology 6(368):368.

[2]Roe, A. W.,Chelazzi, L.,Connor, C. E.,Conway, B. R.,Fujita, I.,Gallant, J. L., Lu, H., …Vanduffel, W. (2012).Towardaunifiedtheory of visualareaV4.Neuron, 74(1),12-29.



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